Histórico da Família Léda

Por: Lilian Maria Léda Saldanha e Maria Celeste Palhano de Oliveira

APRESENTAÇÃO

A iniciativa dos descendentes de Leão Leda em promover em Petrolina, em setembro de 2007, o 1º Encontro da Família Leda, motivou a elaboração deste texto. No entanto, a ideia de resgatar esta história, marcada pela grandeza de seus ideais e ao mesmo tempo pela violência e pela tragédia, obrigando o exílio da família para paragens distantes, era um desejo que vinha sendo acalentado por diversos integrantes da família.

Muitas pessoas vinham reunindo informações, recolhendo dados, ouvindo relatos dos mais velhos. Com a criação da comunidade “Família Leda” no Orkut, tornou-se possível identificar muitos primos e primas que conheciam alguns fatos através de seus pais, avós e bisavós e estavam interessados em pesquisar mais detalhadamente essa história. Foi nessa comunidade que as autoras do texto se conheceram e passaram a trocar informações por e-mail, telefone, correios, até chegar o momento em que tiveram um encontro em Brasília. O texto foi aos poucos sendo construído, e o Encontro de Petrolina veio criar o espaço para a sua divulgação.

Consideramos que este é um texto inicial, que irá se estendendo e complementando à medida que novas informações forem surgindo. Novos integrantes da família estão se propondo a fornecer dados.  As investigações devem prosseguir, no sentido de reparar uma grande injustiça.

É preciso remexer as lembranças, levantar a poeira do tempo e tornar pública a verdade por tanto tempo escondida com o intuito de proteger a imagem de pessoas influentes que financiaram e tramaram essa tragédia, todas elas ligadas ao poder político e religioso ao final do Século XIX e início do Século XX.

Dedicamos este texto a todos os membros da Família Léda, que se acham inevitavelmente ligados por laços de sangue a essa história.  

De modo especial, homenageamos a memória dos nossos antepassados, que foram obrigados a deixar sua vida, sua terra natal, seus amigos, trucidados pela inexistência da Justiça e exilados pela prepotência de um poder político estadual equivocado e vil. A eles o nosso amor e o reconhecimento dos ideais que motivaram sua luta.  

Também aos mais novos integrantes da família, para que conheçam essa história e a divulguem para as gerações que virão. 

Finalmente a Artur Thiago, pela criação da Comunidade “Família Leda” no Orkut e a Lauro Coelho Leda Filho, pela coragem e determinação de idealizar e coordenar o 1º Encontro da Família Leda em Petrolina.

“A derrota dos Leda representou a derrota do sertão, na medida em que essa integração significou sujeição do sul do Maranhão às decisões governamentais tomadas pelos oligarcas de São Luís” (Drª. Socorro Coelho Cabral em Caminhos do Gado).

“Leão Leda como político foi um homem de destaque no seu partido em Grajaú; como pai de família era de um carinho exemplar, de uma afeição sem igual, extremoso e bom; como amigo era sincero e dedicado, sacrificando-se pelo amigo assumindo a responsabilidade dos atos mais arriscados” (Jornal O Norte de Barra do Corda em 27/03/1909).

“Sua reconhecida altivez e lealdade, qualidades que o empenharam constantemente em luta contra a opressão e o arbítrio e o tornaram o centro de gravidade para onde se voltaram todos aqueles que se sentiam feridos em seus direitos e desprezados pela justiça... Amigo do povo, por um homem do povo se batia com a mesma dedicação e vigor com que se bateria por amigos valorosos” (Jornal A Pacotilha de São Luis, 30/03/1909).

Contribuições à História da Família Leda

Lílian Maria Leda Saldanha¹

  Maria Celeste Palhano²

A Primeira Geração dos Leda no Maranhão

A origem da família Leda no Maranhão, pelo que foi possível até agora saber, começa com ANTONIO RODRIGUES DE MIRANDA LEDA, que chegou à região sul da então província do Maranhão, provavelmente na primeira metade do século XIX, em companhia do seu pai, um comerciante português.

ANTONIO LEDA contraiu matrimônio com LEOCÁDIA MOREIRA. Esta era filha do casal Bento José Moreira, bandeirante, natural de São Paulo e Perpétua Maria dos Reis, pertencente a uma família de posses e influência na região sul do Maranhão, mais precisamente Pastos Bons. Leocádia era a filha caçula do casal Bento-Perpétua, que além dela teve outros filhos: Martiniano José, João Bento José, Torquato José, Virgulino José, Clementino José, Francisco José, Fortunato José, Juliana, Perpétua, Tomásia, Maria Angélica, Luisa, Ricardina.

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